A biblioteca do Google
Projeto pretende disponibilizar na rede todos os livros já publicados no mundo
Toda manhã, técnicos carregam pilhas de livros da coleção de 11 milhões de exemplares da biblioteca Bodley, na Universidade de Oxford (Grã-Bretanha), e as levam a um prédio ao lado. Lá, os volumes são colocados em scanners que digitalizam suas páginas. Enviados depois aos laboratórios do Google nos Estados Unidos, os dados tornam-se disponíveis para pesquisa via internet.
A operação silenciosa esconde a profundidade das ambições do Google: digitalizar todos os livros já publicados no mundo. “Achamos que podemos fazer isso em dez anos. Estou surpresa com o quanto estamos perto”, projeta Marissa Mayer, executiva da empresa.
Um indício da importância da aspiração do Google foi o ataque que o plano recebeu da Microsoft. Em um discurso para a indústria de publicações em Nova York, Thomas Rubin, consultor da empresa de Bill Gates, acusou o projeto de ser irresponsável e de violar direitos autorais e de publicação.
“Companhias que não criam conteúdo próprio e fazem dinheiro somente da produção alheia estão faturando bilhões através de rendimentos com publicidade”, disse Rubin, em um sinal claro da ferocidade que virá na guerra pelo controle da informação mundial.
A maior parte do conhecimento produzido pelo homem não está disponível na web. É difícil de se medir, mas algumas estimativas indicam que 85% das informações humanas estariam offline. Organizar esse conteúdo é um desafio e uma tentação. A Microsoft também está envolvida em um projeto similar com a British Library, concentrado em livros de domínio público.
Hoje, já é possível procurar milhares de trabalhos, inclusive protegidos por direitos autorais, no site www.books.google.com.O portal enfrenta dois processos na Justiça norte-americana, um movido por autores, outro por editores. A companhia se defende argumentando deixar somente pequenas partes disponíveis para cada pesquisador, o que seria permitido pela lei americana.